O que você pode fazer por uma mãe que nasce após o parto….

Tem muitas novas mães que vão surgir por aí, e por isso eu sinto uma obrigação solidária em escrever tudo isso.

Mesmo que seja um segundo ou terceiro filho, é um novo filho, é uma nova mãe que surge, então isso vale para todas que acabaram de dar à luz ou ainda vão dar!

Sabe quando dizem que é uma das experiências mais intensas da vida? Sim, é mesmo! É clichê mas é um marco na vida dessa mulher!

E cada mãe sentiu isso ao seu próprio modo. Então fica a primeira dica: quando for conhecer a nova criança, olhe nos olhos da nova mãe, e pergunte como ela está se sentindo. Porque sim, ela também nasceu depois de um parto!

Pergunte como foi esse parto, o que ela sentiu, como ela reagiu, quão trabalhoso foi. Sabe por quê? Porquê muitas vezes um parto normal, não foi normal!

Ela pode ter ficado 5, 15, 20, 30 horas preparando e dilatando seu corpo para dar a luz àquela criança. Ela pode ter tomado ou não anestesia, e isso interfere muito na experiência de dor que ela sentiu e provavelmente na dor que ela está sentindo na hora da tua visita. Apenas pergunte…a preocupação e o carinho aliviam as dores. 

Falo sobre parto normal, porque sinto que a cesárea, por ser uma cirurgia, todos tomam os seus devidos cuidados. O parto normal, por ser “normal” as vezes é encarado como um dom da mulher, “nossa você é corajosa, e é parideira, nasceu pra isso, nasceu pra parir, que fácil hein lindinha?”. Ou porque já é o terceiro ou quarto filho, muitos acham que a pessoa espirrou e o filho nasceu.

Não gente, não é assim para todas!Bom se fosse!!!

Não é normal, tive que abrir os ossos da minha bacia pra uma pessoa sair por ele!

Penso que um parto é fruto de muita luta interior, quase todos os depoimentos que ouvi envolvem a experiência: “achei que ia morrer, a criança ia nascer, mas eu ia morrer..não ia aguentar de tanta dor!”. Talvez, seja importante se solidarizar com essa pessoa que de verdade, achou que ia quase morrer e em muitos casos esse pensamento pode ter sido uma realidade.

Dá pra dimensionar isso?!

(O relato do meu parto fica pra um outro post…).

Maternidade 14.JPG
Por Dani Starck Fotografia

Quando for ao hospital, além de olhar nos olhos e perguntar se a mãe está bem (porque isso é essencial), avalie também se ela quer ser fotografada, e quer que seu filho o seja. É um momento íntimo, intenso, totalmente relacionado a uma nova família que está surgindo, então…sim, é muito de bom gosto saber se isso é permitido ou não. E claro gente, deixe que a mãe ou pai publique a primeira foto da criança, se é que querem fazer isso.

(Ps: só agora, 3 meses depois, publico essa foto do nosso segundo dia, foto que nos define muito! <3)

Sobre a visita em casa. Isso sim é complicado. Porque a mulher fica quase 3 dias sem dormir. De duas em duas horas tem alguém entrando no seu quarto de hospital, para dar remédio, para avaliar a pressão, para entregar a refeição, ou visitar a pequena vida que chegou. Então a hora mais sonhada é a hora de chegar em casa. Ufa! E será que a casa está preparada pra receber a nova família? Será que deu tempo de planejar tudo?

Então, você que está perto dessa nova família, pode averiguar isso. Se os pais precisam de uma carona pra ir pra casa? Se precisam de ajuda pra levar alguma coisa? Se a casa está limpa? Sim amiga, você pode passar rapidinho na casa da nova mãe e dar uma geralzinha! Ou liga pra tua diarista e manda ela lá!!!

(A minha estava prontinha, porque fiquei pelo menos uma semana limpando a casa feito uma louca…mas quando cheguei em casa e ela estava toda florida, sim…fiquei emocionada. Porque a casa que tinha deixado era uma casa de dor, uma casa pré parto, uma casa de 1o horas de contração…e quando vi que na volta era uma casa de flor…minha casa me acolheu!)

Sobre as visitas, isso sim é importante. É lindo ver que todos querem conhecer teu filho. Estão todos ansiosos. É muito bom saber que todos se importam com a chegada dele. Ele é alguém no mundo, é querido. Mas isso vem numa mistura de tantos outros sentimentos. Porque você também quer conhecer teu filho!

E acima de tudo, você quer se reconhecer!

Teu corpo novo e murcho. Uma barriga vazia. Tuas novas cicatrizes ou dores. Uma bomba de hormônios. Teu peito jorrando leite, ou não. Teu peito que dói ou não. Teu útero que se contrai a cada mamada, quer dizer, se é que o leite desceu! Teu corpo todo inchado de água…Tuas “partes” que parecem que viraram do avesso (sim, é difícil de sentar, não é tão normal assim minha gente!). Tua nova forma de dormir, um olho fechado e outro que se abre a cada movimento da criança. Quem sou eu? Quem é você que depende de mim pra viver? E quem são todos vocês aqui na minha casa….rsrsrsr

Gente, é um turbilhão de coisas, é delicioso ver rostos amigos, porque todo esse reconhecimento faz sentido, os mundos se unem:a vida de antes da criança com essa nova fase… A nova família se sente querida… Mas…as visitas precisam estar sensíveis a tudo isso. E é por isso que escrevo.

A vida não é mais como era como antes, não vá na casa da pessoa pra tomar um chimarrão!

Nãooo, nãoooooooo!

Vá visitar e aproveite pra levar um chá, um pão fresco, uma sopa, porque estes pais não conseguiram sair de casa!

Peça um copo de água,  dê uma lavadinha no copo que usou e já aproveita ali, aquela bucha amarelinha e aquele detergente, lava a loucinha do almoço.

Vai ver o quartinho do bebê: “nossa que pilhas de roupas lindas amiga, posso passar?!”

Gente, teu bebê tá se arranhando todo! Vou ali na lojinha comprar uma luvinha pra ele e já volto tá? Ahhhh vou aproveitar que acabaram os teus remédios e absorventes já passo ali na farmácia, é rapidinho!

Hein, sabe aquela macarronada que a gente comia? Então tô passando aí pra fazer pra você!

Nossa, passei na padaria, tinha essa torta de banana, achei que ia gostar!

Menina do céu, como você está fazendo com o teu cachorro? Deixa que eu dou uma passada aí e já levo ele pra passear, aproveito a viagem!

Claro amiga, pode ir tomar um banho, eu fico aqui segurando essa coisinha linda! Mas claro, pode demorar sim, sei que você nem conseguiu ir ao banheiro hoje…

Ou seja, ajude como puder ou pelo menos pergunte. Claro, falo isso pra quem é da família ou pelo menos se considera. Se você é mais afastado, vá visitar depois de uns 15 dias, daí todo esse furacão já passou.

E você nova mãe: aceite ajuda das pessoas, não finja que está tudo bem, não banque a durona ou a super mulher parideira, porque esse momento é intenso e quanto mais coalizão melhor. Sim, política da coalizão mesmo, mulheres se unindo, se solidarizando por ti, quanto mais melhor, você vai se sentir amada, cuidada, amadrinhada, afilhada…sei lá como se define isso.

Enfim, espero que esse depoimento do meu coraçãozinho, amarguradinho e solidário ao mesmo tempo, ajude as novas mamães que vão nascer. Se o depoimento não ajudar, pode deixar que eu vou estar por perto das minhas amigas mães (e você minha irmã amada, estou aqui pra te dar todo o apoio necessário, mesmo que seja via telefone)!

Porque quem passa por isso, não passa ileso. É um ritual de passagem, e sei que ainda terão muitos outros.

 

 

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1 comentário Adicione o seu

  1. Sérgio Della Giacoma disse:

    *SE O PAIPAI GANHAR UM MONTÃO DE GRANA* *FAZ O DANADINHO CONTRATAR UMAS DUAS MUCAMAS DE SERVIÇO PRÁ MAMÃE.*

    *LICENÇA AMAMENTAÇÃO NÃO PRECISA SER UM TÉDIO, NÉ NÃO?*

    *UM ABRAÇO BEM BABÃO PARA AS DUAS RAINHAS.*

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